Aventuro-me em reinos que nem sei, e escrevo sobre gente e terra de tão longe que meu pensamento ocasional é o que os faz mais perto.
Entre as escritas demoradas de outros projetos e as estórias rápidas surgiu a partir de uma música e o vídeo a ela atrelado uma nova estória.
E se a amada estivesse louca?
E se a amada fosse maldita?
E se os amantes é que estivessem amaldiçoados?
E se os malditos não fossem a pior gente do mundo?
E um casal problemático já estava afastado por guerras, por neve e por intrigas, e enquanto um está longe do outro, a condição dele, na alma, piora; e a doença dela, na mente, se agrava.
E se ao se reencontrarem não se reconhecerem? E se ao se encontrarem se odiarem, se enojarem?
Entremeios sinto também que não devo narrar nada. Outro é que contaria a história por mim, que deles pouco entenderia. Ocorreu-me deixar que outros contassem, mas ao fim um único narrador elegeu-se em meu pensamento.
E ele é perspicaz, muito mais detalhista que minha mente narradora. Ele escreve como quem ama de maneira irresistível, ou como quem trabalha de maneira perfeccionista, ou como quem mata de maneira inescapável. Não é conciso, que com gente concisa acabo por não me dar nos assuntos de narrar, mas é certeiro.
Quando mais tarde eu falar de Varyn, mais entenderei seu papel de narrador. Eu admiro-me com a história dele, que conheço somente à medida que ele conta a história de Elão de Varraquez e a Dama no Castelo da Quartalonge. Tal como eu ele enoja-se com o sangue e a perversão que envolvem o casal em todos os seus assuntos, mas Varyn e eu nos identificamos também no espanto e na admiração que temos diante do fato dos dois encarnarem o papel devotado e inexplicável da perseverança, ainda que sinistra, contra todas as adversidades.